Ablação percutânea é alternativa para tratamento do câncer

Recurso permite destruir células tumorais por aplicação de energia geradora de calor ou frio, preservando os tecidos adjacentes.
O uso de métodos de imagem para guiar intervenções tem permitido ampliar a gama de procedimentos minimamente invasivos no tratamento de câncer.
A ablação percutânea, que envolve a destruição de células tumorais por meio de aplicações de energia térmica, é um desses recursos. Indicada para alguns tipos de tumores do fÃgado, rins, pulmões e ossos, tanto primários como secundários (provenientes de outros órgãos), a ablação se apresenta como uma alternativa nos casos em que a cirurgia convencional não pode ser realizada ou é recusada pelo paciente. É feita pela aplicação precisa de energia geradora de calor (radioablação) ou de frio (crioablação) no interior da lesão, evitando afetar tecidos saudáveis adjacentes.
Com apoio de recursos de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-CT, o médico (radiologista intervencionista) introduz um instrumento pontiagudo e delgado (probe) na pele e o direciona ao interior da lesão. Na radioablação, o probe é acoplado a um gerador que emite pulsos de radiofrequência, produzindo calor local com temperatura em torno de 80°C, suficiente para induzir a morte das células neoplásicas, ou seja, atÃpicas. Na crioablação, o probe gera no interior da lesão uma bola de gelo a baixÃssimas temperaturas (da ordem de -140oC) que, por meio de ciclos sucessivos de congelamento e descongelamento, promove a destruição das células tumorais.
A escolha do tipo de ablação depende da natureza e localização do tumor, sempre visando ao máximo de eficácia no procedimento. Os dois tipos são adotados no tratamento de neoplasias de pulmões e rins. Já os tumores de fÃgado apresentam excelente resposta à radioablação.
Para tumores ósseos indicam-se as técnicas ablativas no controle local da doença e para o tratamento de dor no caso de metástases. Os procedimentos podem ainda ser realizados durante um ato operatório, acrescentando recursos adicionais à cirurgia oncológica.
Minimamente invasiva, a ablação percutânea é um procedimento seguro, com baixas taxas de complicações
Minimamente invasiva, a ablação percutânea é um procedimento seguro, com baixas taxas de complicações (2% a 3%). Na maioria dos casos, não requer internações prolongadas, nem anestesias profundas, e é bem tolerada pelos pacientes, que podem retornar à s suas atividades rotineiras em pouco tempo – em alguns casos, até no dia seguinte. Cerca de 40% dos pacientes apresentam reações passageiras, como febre baixa, desconforto, fadiga e prostração, que costumam durar de dois a três dias após o procedimento e são facilmente controladas com medicações.
Por ser menos invasivo, o procedimento pode ser repetido, caso necessário, em situações como recidivas (surgimento de novas lesões) ou tumores residuais. Também é indicado para redução de tumores muito grandes, a fim de viabilizar uma remoção cirúrgica posterior. Pode, inclusive, ser combinado a outros procedimentos, como radioterapia e quimioterapia.
No caso de tumores hepáticos, a ablação desempenha um importante papel como ponte para quem espera um transplante e é portador de um hepatocarcinoma (tumor primário do fÃgado). No Brasil, como na maioria dos paÃses, pacientes com uma lesão maior do que cinco centÃmetros ou com mais de três lesões com até três centÃmetros tornam-se inelegÃveis ao transplante (Critérios de Milão).
Nesses casos, a ablação percutânea torna-se uma opção de tratamento, contribuindo para reduzir o tamanho dos tumores ou evitar que cresçam e excedam os critérios excludentes.
As indicações dos procedimentos ablativos são bastante amplas dentro do cenário oncológico, no entanto seu emprego deve ser amparado por ampla discussão multidisciplinar entre todos os especialistas envolvidos no tratamento do câncer: oncologistas, cirurgiões, radioterapeutas e radiologistas intervencionistas.
Adotada nos principais centros mundiais desde a década de 90, a ablação percutânea de tumores é uma técnica com potencial de desenvolvimento. Outras formas de produção de energia para a ablação, como laser , micro-ondas, ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e eletroporação definitiva, estão em desenvolvimento e poderão em breve somar-se às possibilidades hoje oferecidas. Além disso, há estudos em andamento que devem permitir, num futuro próximo, estender o procedimento a alguns tipos de tumores de mama e de próstata. São novos caminhos que se abrem, ampliando os horizontes para o tratamento do câncer.
Descoberta sobre a proteÃna SIRT2 pode conduzir a elaboração de novos tratamentos para combater o câncer de mama
Pesquisadores da Vanderbilt University, nos Estados Unidos, descobriram uma famÃlia de proteÃnas chave do envelhecimento que está ligada à supressão de tumores.

A descoberta pode conduzir a elaboração de novos tratamentos para combater o câncer de mama.
O estudo revelou a proteÃna SIRT2 como supressora de tumores relacionados ao gênero em camundongos. Juntamente com outras duas proteÃnas sirtuÃnas previamente associadas ao câncer, a descoberta sugere a existência de uma famÃlia rara de supressoras de tumor.
O câncer é principalmente uma doença do envelhecimento, com a maioria dos casos aparecendo em pessoas com mais de 50 anos. No entanto, os processos biológicos que estão por trás dessa associação não são claros.
No final de 1990, sirtuÃnas foram ligadas a uma vida útil mais longa em espécies mantidas em uma dieta de restrição calórica. Estas proteÃnas pareciam proteger contra danos celulares relacionados ao envelhecimento. “O fator mais importante no prognóstico do câncer é o envelhecimento. Parece lógico que os genes que desempenham um papel no envelhecimento, ou talvez no anti-envelhecimento, estão ligados ao câncer”, afirma o professor David Gius.
Estudos anteriores mostraram que quando SIRT3 foi eliminada, os ratos estudados desenvolveram tumores de mama ER positivo, o tipo mais comum em mulheres pós-menopáusicas.
No novo estudo, os pesquisadores investigaram as funções fisiológicas de SIRT2, eliminando a proteÃna em células de cultura e em camundongos. Eles descobriram que camundongos deficientes em SIRT2 desenvolveram tumores em múltiplos tecidos – e, estranhamente, camundongos machos e fêmeas desenvolveram tumores em diferentes tecidos.
A falta de SIRT2 em camundongos fêmeas, levou a tumores na mama, enquanto que em camundongos machos, proporcionou o desenvolvimento de uma gama de tumores gastrintestinais (no fÃgado, pâncreas, cólon e estômago). “É uma grande descoberta notar que eliminando uma proteÃna, ratos podem desenvolver tumores especÃficos aos gêneros, sugerindo uma conexão fisiológica entre os sexos e a função de proteÃnas sirtuÃnas”, afirma Gius.
A partir de dados do câncer humano, os pesquisadores mostraram que SIRT2 também foi reduzida em casos humanos de câncer de mama, tumores gastrointestinais (que não foram discriminadas por sexo), e vários outros tipos de câncer.
Embora o mecanismo subjacente aos tumores especÃficos a cada gênero não tenho sido determinados, os pesquisadores encontraram evidências de que SIRT2 agiu como um supressor de tumor em células em cultura.
Especificamente, a proteÃna pareceu regular uma parte importante dos mecanismos envolvidos na divisão celular – um complexo de proteÃnas chamado APC / C. Perda de SIRT2 levou a “instabilidade genômica”, ou uma segregação anormal de cromossomos durante a divisão celular.
Enquanto as células no inÃcio mostraram proliferação reduzida, sua taxa de crescimento aumentou gradualmente e as células mostraram sinais de transformação maligna.
Estudos anteriores indicaram que dois outros membros da famÃlia sirtuin – SIRT1 e SIRT3 – têm funções supressoras tumorais. Estes achados sugerem que um terceiro membro desta famÃlia de proteÃnas atua como um supressor de tumor.
Como os tumores mamários que se desenvolvem em fêmeas de camundongo parecem semelhantes ao tipo mais comum de câncer de mama (câncer de mama luminal), os pesquisadores acreditam que estes ratos poderiam fornecer um modelo animal muito necessário para a doença.
A equipe pretende, agora, investigar se SIRT2 estimula o câncer de mama luminal e, em caso afirmativo, usar os ratos como modelo para a investigação de agentes quimiopreventivos.
Fonte: Isaúde
Cirurgião Woo Jin Hyung mostrou, em São Paulo, operação de estômago sem cortes profundos ainda pouco difundida no Brasil

O médico sul-coreano Woo Jin Hyung reuniu, em São Paulo, na última sexta-feira, profissionais de saúde e pesquisadores para a transmissão ao vivo de cirurgia para retirada do câncer de estômago realizada em paciente em centro cirúrgico de um hospital na região central da cidade.
Por meio de um telão colocado no auditório do Hospital A. C. Camargo, o cirurgião, um dos maiores especialistas do mundo em cirurgia por vÃdeo para câncer de estômago, apresentou a técnica de gastrectomia laparoscópica.
Na cirurgia por vÃdeo para câncer de estômago, em vez de cortes profundos, o paciente é operado por meio de cinco pequenos orifÃcios – dois abaixo das costelas, dois na linha do umbigo e outro no próprio umbigo – onde as pequenas peças guiadas pelo cirurgião fazem a raspagem do tumor. O trabalho é guiado por uma microcâmera de alta definição que entra pelo umbigo com a ajuda de um tubo flexÃvel.

Estudos publicados anteriormente por Hyung mostram que, comparada com a modalidade de cirurgia aberta, a técnica por vÃdeo oferece ao paciente menos tempo de internação e breve retomada da alimentação sem restrições e, por não necessitar de cortes, ameniza outros sintomas como dores abdominais. Oferece os mesmos Ãndices de controle da doença e não aumenta taxa de complicações com infecções intra-abdominais.
Estabelecida para o tratamento de câncer de cólon, a cirurgia laparoscópica é pouco difundida no paÃs em se tratando de tumores no estômago.
No Felipe José Fernandez Coimbra, diretor do núcleo de abdome do hospital A.C. Camargo, diz que os avanços tecnológicos devem ser cada vez mais incorporados aos tratamentos, mas não se deve esquecer que a prevenção é essencial, pois não há sintomas especÃficos para a doença. O diagnóstico tardio ainda é um problema no Brasil.
Na Coreia do Sul, por exemplo, um dos exames de admissão no trabalho pode detectar se a pessoa tem o câncer de estômago. No caminho da prevenção, esta incluÃdo, ainda, saber se há casos anteriores na famÃlia, ter uma alimentação saudável e fazer exames periódicos.

A visita do cirurgião Woo Jin Hyung abriu a semana do Simpósio Internacional de Cirurgia Laparoscópica e
Procedimentos Intervencionistas em Câncer do Aparelho Digestivo, que acontece entre 4 e 6 de novembro.
Fonte: Isaude
A aplicação de drogas anticâncer nos ductos mamários através do mamilo é altamente eficaz contra o câncer de mama em estágios iniciais em modelos animais. Além disso, o procedimento não provoca efeitos colaterais significativos em pacientes humanos. É o que aponta estudo conduzido por pesquisadores do Johns Hopkins Kimmel Cancer Center, nos Estados Unidos.
A expectativa é que os resultados da pesquisa levem a ensaios clÃnicos mais avançados sobre o chamado tratamento intraductal de câncer de mama inicial.
“Os nossos resultados apoiam a teoria de que, tratando diretamente o tecido mamário podemos chegar a uma concentração muito mais potente da droga onde é necessário, com muito menos efeitos adversos sobre os tecidos fora dos seios”, disse a oncologista Vered Stearns, que supervisionou a parte clÃnica do estudo.
O professor de oncologia Saraswati Sukumar começou a pesquisa intraductal mais de uma década atrás, com o raciocÃnio de que, como a maioria dos cânceres de mama originam-se de células que revestem os ductos de leite , as terapias iniciais ou preventivas devem ser aplicadas diretamente aos ductos através do mamilo, e não por via intravenosa. Em 2006, na revista Cancer Research, Sukumar e seus colegas relataram um teste inicial bem sucedido da técnica usando o medicamento quimioterápico doxorrubicina contra o câncer de mama ductal inicial em ratos.
Para o estudo atual, Stearns configurou um pequeno ensaio clÃnico para determinar a viabilidade da técnica de Sukumar em 17 pacientes com câncer de mama. Começando com a dextrose – essencialmente água com açúcar – e mais tarde com doses crescentes da mesma formulação de doxorrubicina utilizada nos ratos de Sukumar (doxorrubicina lipossomal peguilada, ou PLD), ela foi capaz de infundir os dutos dos pacientes com câncer de mama por meio de um pequeno cateter colocado no mamilo. A técnica não foi utilizada neste caso para tratar o câncer; os pacientes no estudo estavam todos com tumores de mama e estavam aguardando a mastectomia. Mas Stearns conseguiu estabelecer que doses únicas de PLD nos ductos mamários causaram somente efeitos colaterais leves, uma dor leve nos mamilos e o inchaço de mama.
Uma comparação de 12 pacientes que receberam PLD através do ducto com três pacientes tratados com PLD por via intravenosa padrão também foi reveladora, disse Stearns. “A aplicação intraductal do PLD resultou em uma concentração muito mais elevada no seio em comparação com a circulação, ao passo que nas mulheres com doses intravenosas encontramos concentrações relativamente elevadas no sangue, mas muito pouca ou nenhuma no seio”, observou ela.
Na parte animal do estudo, o laboratório de Sukumar examinou a eficácia intraductal de quatro drogas anticâncer padrão, o 5-fluorouracil (5FU), a carboplatina, o metotrexato e o paclitaxel, todos em comparação com o PLD. Destas drogas, o 5FU intraductal preveniu a maioria dos cânceres em comparação com o uso de nenhuma droga ou com a administração intravenosa. Ele também encolheu encolheu tumores de mama já estabelecidos com uma eficácia impressionante, completamente eliminando-os em 10 dos 14 ratos tratados. Tanto como um preventivo como quanto como uma terapia, o 5FU funcionou muito bem nestes testes”, disse Sukumar.
O 5FU tem uma vantagem adicional, observou ela, a de poupar os ductos mamários do tipo de dano causado pelo PLD, que em doses terapêuticas pode destruir grande parte do revestimento ductal. Mas talvez o resultado mais intrigante destes testes, tenha sido que o tratamento preventivo de apenas quatro glândulas mamárias nos ratos – que têm um total de doze – mostraram um forte efeito na prevenção de tumores nas glândulas não tratadas também. “Achamos que o 5FU, na alta concentração alcançada com a aplicação intraductal, provoca uma resposta imune que pode suprimir a formação de tumores nos outros ductos. Esta é uma caracterÃstica atraente, porque alguns ductos mamários das mulheres são “dutos cegos” que não estão ligados ao mamilo e que, portanto, são inacessÃveis diretamente com a terapia intraductal”, disse Sukumar.
Sukumar e Stearns disseram que o próximo passo é a criação de um novo estudo clÃnico com 5FU, com base nas novas descobertas. O objetivo é usar a terapia intraductal para suprimir os tumores nos pacientes com um alto risco genético para o câncer de mama ou com lesões pré-malignas nos ductos do peito. “Em princÃpio, pode-se fazer tal procedimento a cada perÃodo de aproximadamente 10 anos para manter os seios sem tumores, em vez de ter os seios removidos”, diz Sukumar.
Fonte: Isaude

Cientistas da Eindhoven University of Technology, na Holanda, desenvolveram um equipamento robótico que torna a cirurgia ocular mais fácil e altamente precisa.
Além de permitir uma melhor manipulação na retina e no olho vÃtreo, o sistema também estende o perÃodo de vigência, durante o qual os oftalmologistas podem realizar procedimentos mais complicados.
Cirurgias oftalmológicas, tais como reparos ou reversão de um descolamento de retina demandam alta precisão. Na maioria dos casos os cirurgiões só podem realizar estas operações quando adquirem muita experiência. “Quando começam a operar, os oftalmologistas estão geralmente em um estágio avançado em suas carreiras. Nesse momento fica mais difÃcil executar procedimentos complicados com a precisão necessária. O sistema desenvolvido é capaz de filtrar tremores nas mãos, o que aumenta significativamente o perÃodo de trabalho efetivo do oftalmologista”, afirma Thijs Meenink, que desenvolveu o equipamento.

O robô consiste de uma matriz e de braços ‘ escravos’ . O oftalmologista permanece totalmente no controle, e opera a partir da matriz usando dois controles. Os braços robóticos copiam os movimentos realizados na matriz e o transferem para a operação real.
A agulha minúscula localizada nos braços do robô tem um diâmetro de apenas 0,5 milÃmetros, e inclui pinças, tesouras cirúrgicas e drenos. O robô é projetado de tal forma que o ponto em que a agulha é inserida no olho é sempre o mesmo, para evitar danos à s estruturas oculares delicadas.
Meenink também projetou um único equipamento que permite que os braços do robô troquem de instrumentos, por exemplo, de uma pinça para uma tesoura, dentro de apenas alguns segundos. Este é um fator importante na redução do tempo gasto no procedimento. Algumas cirurgias oculares podem exigir até 40 mudanças de instrumentos, o que é normalmente uma parte demorada no processo em geral.
No novo procedimento, os movimentos do cirurgião são reduzidos, por exemplo, cada centÃmetro de movimento do controle é traduzido em um movimento de apenas um milÃmetro na ponta do instrumento. “Isso aumenta muito a precisão dos movimentos”, ressalta Meenink.
O mestre também fornece feedback háptico. Oftalmologistas trabalham inteiramente pela visão, as forças utilizadas na operação são geralmente muito pequenas para serem sentidas. No entanto o novo robô pode “medir” essas forças minúsculas, que são amplificadas e transmitidas para os controles. Isso permite que os cirurgiões sintam os efeitos das ações, o que também contribui para a precisão do procedimento.
O novo sistema desenvolvido também oferece benefÃcios ergonômicos. Enquanto, atualmente, os cirurgiões ficam debruçados sobre o paciente durante todo o processo, eles em breve vão poder operar o robô a partir de uma posição sentada confortável. Além disso, os braços são tão leves e compactos que a equipe cirúrgica pode facilmente anexá-lo à mesa de operação.
O novo sistema robótico já está pronto para uso, e Meenink pretende otimizá-los em um futuro próximo.
Fonte: Isaude
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